EDITORA SOLIS: O sol brasileiro dos bons livros de xadrez!
Luiz Vasconcelos Loureiro -- 15.abr.2007 - 19h26

EDITORA SOLIS

 O sol brasileiro dos bons livros de Xadrez!

 

Luiz Loureiro

 

 

 

 

1.      Eu não acreditei!

 

Quando há uns poucos anos atrás eu soube da inauguração de uma editora brasileira que lançaria especificamente títulos de xadrez de alta qualidade, num primeiro momento, simplesmente não pude acreditar que tal coisa era verdade! A longa história em nosso grande torrão me levava a reagir com tanto ceticismo, pela simples razão de que tal coisa pura e simplesmente jamais existira no Brasil! O que havíamos tido por aqui foram derivações editoriais do já hercúleo esforço de alguns abnegados editores que mantinham revistas de xadrez e que tentaram ampliar o alcance dessas, com a publicação de alguns títulos avulsos nesse formato tão sério, que é o livro!

Também era possível encontrar no catálogo de algumas empresas do ramo, mesmo algumas grandes e famosas, uns poucos livros sobre nosso jogo que eram relançados continuamente, como ocorre até hoje, sem qualquer aprimoramento, revisão e correções! Nesse rol, para citar uns poucos, encontrávamos o fundamental Estratégia Moderna do Xadrez, de Ludek Pachman (que praticamente foi estudado e ajudou na formação dos melhores jogadores do país, desde a década de 1960!), o Xadrez Básico de Orpheu dAgostini, e o delicioso, ainda que impreciso, A Aventura do Xadrez, de Edward Lasker. Era uma lista restrita e, para quem não pudesse, por uma razão ou outra (custo do livro importado, não conhecimento de idiomas como inglês, espanhol, francês e outros), acessar literatura estrangeira, o próprio aprimoramento técnico se veria muito limitado ou, no mínimo, retardado. Afinal, país que não lança livros “dos outros”, também não assimila o conhecimento “dos outros”, não é mesmo?!

Contudo, e mesmo que tardiamente, isso mudou com um empreendimento ambicioso, bem planejado e administrado por pessoas do ramo que tem planos e projetos editoriais de elevada elaboração! Quem sabe, ainda temos chance de recuperar o tempo perdido?

 

2.      Editora Solis: o sol brasileiro dos bons livros de xadrez!

 

Pois o acontecimento marcante, que creio mesmo poder caracterizar como um importante divisor de águas no xadrez brasileiro, foi a criação da Editora Solis, uma arrojada idéia conceitual e comercial do ex-presidente do Clube de Xadrez de São Paulo, Francisco Garcez Leme, que é casado com a MI Jussara Chaves Garcez. Pelo menos desse modo, Francisco conta com uma consultoria de alto nível para xadrez dentro de sua casa, já que Jussara não somente tem sido uma das melhores jogadores do Brasil por décadas, mas também esteve envolvida em eventos históricos do jogo, tanto aqui como no exterior, seja como jogadora, organizadora ou árbitra!?

Para descrever com a máxima precisão as motivações da criação e estruturação da editora, que tem lançado os mais significativos e impressionantes títulos que já viram a luz do dia aqui no “patropi”, vou me valer de um esclarecimento pessoal enviado a esse autor pelo próprio fundador da editora. Desse modo, os leitores poderão apreciar o nível de expectativa e qualidade de trabalho monumental daqueles que conduzem a Editora Solis. Passo agora a palavra para Francisco Garcez Leme, que no início de sua descrição estará se referindo ao grandioso projeto de edição da série “Meus Grandes Predecessores”, escrita por Garry Kasparov  e traduzida pelo GM Giovanni Vescovi. Essa obra é apresentada em 5 parrudos volumes de capa dura, com a média de 450 páginas cada um, produzidos com ótimo acabamento e apuro gráfico. Isso era inimaginável no Brasil de apenas 10 anos atrás!!

 

A série "Predecessores", do Kasparov, realmente é um marco editorial e, na verdade, a própria razão da fundação da Editora Solis, após uma busca infrutífera por editoras que tivessem interesse em editá-la. Tanto melhor para nós, que conseguimos criar uma Editora que, embora não exclusivamente, tem o seu foco voltado para a edição de livros de xadrez, dada a formação de seus fundadores. Temos procurado fazer nossos livros com o maior cuidado editorial possível, desde a tradução e versão dos mesmos até a escolha da gráfica na qual os livros são impressos (impressão digital, sem o uso de fotolitos) e a "bonificação" do CD da ChessBase, fruto de contrato nosso com essa empresa alemã. Enfim, os livros são feitos por pessoas apaixonadas pelo jogo de xadrez e que têm o conhecimento de que essa obra do Kasparov com certeza se transformará em um clássico por muitas gerações.

Como perspectivas para o ano de 2007, já estamos conduzindo a produção do Volume 5 da série "Predecessores" (Kortchnoi e Karpov) e estamos em estágio final da tradução e editoração do "Meu Sistema" do Nimzovitsch. Esse livro clássico (editado em 1925 e que nunca foi traduzido para o português) deverá ser lançado em junho desse ano. A revisão está a cargo do MI Herman Claudius, certamente a pessoa mais preparada para esse trabalho: o Herman está cotejando a nossa tradução com a obra original no idioma alemão e também em outras versões na língua inglesa em diversas edições e esse trabalho resultará na versão em português o mais próximo possível do original. Enfim, acreditamos que o "Meu Sistema" será um belo lançamento no mercado editorial brasileiro de xadrez nesse ano.

Outro livro que está na nossa "alça de mira" é o "Fogo no Tabuleiro II" do Alexey Shirov, do qual compramos os direitos de edição em português e temos os originais do próprio Shirov em espanhol. Falta-nos tempo para a preparação da edição desse livro em português, mas pretendemos lançá-lo até o final desse ano.

Enfim, vamos caminhando. É um trabalho em um mercado editorial difícil, com o número de consumidores bastante reduzido (costumo brincar, dizendo que vendemos um livro para produzir outro...). A recuperação do investimento nesse mercado se dá em um prazo bastante longo, o que em absoluto nos desanima. Temos consciência de que os preços dos livros são altos para o nosso meio, mas isso só se resolveria com uma tiragem muito maior de exemplares, que é a nossa meta pelo próprio desenvolvimento do mercado, crescimento esse que para o qual esperamos estar contribuindo com a edição dos nossos livros. É um círculo favorável, esperamos com isso ajudar o desenvolvimento do xadrez no Brasil!”

 

Como podemos verificar, Francisco é um homem com a necessária visão e objetividade do ramo de negócios, mas é também um empresário motivado por paixão positiva e que tem plena consciência de seu trabalho como editor de xadrez estar marcando uma guinada histórica em nosso país! Todos nós que promovemos e trabalhamos pelo xadrez e que adoramos livros, especialmente aqueles que são ótimos (como os referidos por Garcez), devemos torcer para que o Brasil melhore em todos os sentidos e não regrida em suas conquistas de estabilidade econômica (inflação baixa, ganhos salariais, “câmbio do dólar simpático”, etc!?) e para que também a ação marcante da Editora Solis ilumine um futuro mais brilhante do xadrez brasileiro e de seus ases e aficionados por muito tempo à frente!

Vida longa para a Editora Solis e seus fundadores!

 

3.      Um  monte de PS!

 

PS 1: Para os quiserem visitar o site da Editora Solis e examinarem o catálogo de xadrez e uns poucos outros temas, deixo o link pertinente: http://www.editorasolis.com.br

 

PS2: Como o Francisco se referiu ao “Fogo no Tabuleiro II”,  do Shirov, que é o segundo tomo da coleção de partidas desse destemido sucessor de M. Tal (nasceram ambos em Riga, capital da Letônia), eu vou lembrar-lhe daqui que ele ainda não publicou na Solis o volume I...É imperdível!!

 

PS 3: Além dos livros citados, queria ressaltar o valor e importância de outra obra de Kasparov também lançada pela Solis, a saber, “O Teste do Tempo”, que é um trabalho de análise de partidas fenomenal, atraente, revelador e imensamente proveitoso como plataforma de trabalho para quem deseja se aprimorar tecnicamente no jogo, mediante trabalho duro!? Jovens pretendentes a MI e GM deveriam dormir com ele!?

 

PS 4: Há que se destacar também o lançamento de um importante programa para ensinar e estimular as crianças a partir dos 8 anos. É o “Xadrez com O Pequeno Fritz”, produzido originalmente pela alemã ChessBase GmbH, criadora também do Fritz (um módulo de análise usado por muitos profissionais do jogo) e do ChessBase (um banco de partidas de xadrez de alta qualidade e funcionalidade) e que apreciarei em outra oportunidade. Uma parceria das empresas Terzio com a Positivo Informática (do Grupo Positivo) e com a editora Solis resultou nessa versão em português de um tipo de ferramenta alternativa moderna e estimulante para as crianças darem seus primeiros passos no jogo!?

 

PS4: Não era preciso dizer, mas vou fazê-lo mesmo assim! Essa crônica não é parte de nenhuma “campanha de marketing” da empresa e muito menos constitui publicidade paga pela editora a que me referi. Apesar de minhas ótimas relações pessoais e profissionais com Francisco e Jussara, escolhi o tema e fiz o registro de mérito do trabalho dos fundadores da editora tão somente por dever de justiça do ponto de vista histórico! Essa editora mudou o padrão da edição de qualidade de xadrez no Brasil e aqui eu procurei assinalar esse processo com clareza. Minha apreciação do tema não depende de minhas impressões e simpatias pessoais, nem está vinculada a qualquer interesse ou motivação comercial. De fato, o que eu queria mesmo era ter tido uma Editora Solis à mão quando comecei a jogar xadrez há quase quarenta atrás!!

 

Luiz Loureiro

15 Abril 2007

Rio de Janeiro

 

 

 

 



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