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Pinceladas Históricas da Federação Paulista de Xadrez

por Herman Claudius van Riemsdijk

 

Oficialmente, a Federação Paulista de Xadrez tem 82 anos de existência. Foi fundada em 6 de setembro de 1941. Mas a ‘1ª fundação’ da FPX, foi em 1926. A ata da RD (Reunião de Diretoria) do Clube de Xadrez São Paulo do dia 9 de outubro daquele ano, atesta que o conhecido enxadrista Thierry de Rezende (que sucederia a Vicente Túlio Romano – o primeiro campeão paulista – como redator de ‘O Estado de S. Paulo’) foi indicado pelo Clube para auxiliar nos trabalhos preparatórios para a fundação da Federação Paulista de Xadrez. A primeira sede da FPX foi o próprio CXSP. Em ata da Assembléia do CXSP, do dia 10 de março de 1928, consta a comunicação da diretoria da FPX sobre a instalação de sua sede à Rua XV de Novembro, ao mesmo tempo em que ‘agradece ao Club de Xadrez São Paulo a ocupação provisória de uma de uma de suas salas desde a fundação, em 1926’. A FPX esteve pouco tempo na rua XV de Novembro, voltando logo ao aconchego da casa paterna.

Com a reforma da legislação brasileira desportiva pelo Decreto-Lei 3199 de 14 de abril de 1941, foram oficializadas a maioria das federações e confederações, inclusive as de xadrez. Embora a ata de fundação seja datada de 6 de setembro, os estatutos só foram aprovados em 18 de novembro. Lemos em ‘O Estado de S. Paulo’ de 16 de novembro: ‘A fim de serem aprovados os estatutos que regerão a entidade máxima do enxadrismo bandeirante, reunir-se-á, dia 18, terça-feira próxima, na sede do Clube de Xadrez São Paulo, às 20,30 horas, a diretoria da Federação Paulista de Xadrez, participando dos trabalhos os representantes do Clube de Xadrez São Paulo, Clube Piratininga, Grêmio Politécnico, Círculo Israelita, Palestra Itália, A.A. Matarazzo, A.A Light & Power, A. dos Funcionários Públicos, Turma Feminina, A.E. Lituânia e A.A. Guarda Civil, credenciados que se acham junto à mesma entidade’.

Note-se que se diz ‘diretoria da Federação Paulista de Xadrez’. Em realidade tratava-se da diretoria anterior à fundação oficial. Américo Porto Alegre já acumulava as presidências tanto da FPX como do CXSP. No ‘Diário Popular’ de 13 de junho de 1942, o colunista Maurício Levy reporta: ‘Realizou-se no último dia 5 do corrente, na sede do Clube de Xadrez São Paulo, a Assembléia Geral Ordinária da Federação Paulista de Xadrez, a novel entidade dirigente máxima do enxadrismo paulista. Estiveram presentes representantes dos 20 clubes existentes em nossa capital. Depois de lidos e aprovados os estatutos, bem como o regulamento do 4º Torneio Interclubes, procedeu-se a eleição do presidente da Federação, tendo sido eleito, por unanimidade, o Dr. Américo Porto Alegre. S.Sa. dentro do regime presidencial, já escolheu seus companheiros de diretoria, ou sejam os seguintes: vice-presidente – Jacob Gordon; secretário – José Carlos Hauck; tesoureiro – José Contro; diretor auxiliar – Mugnaini Filho.’

Esta mesma coluna começa com um extenso relato sobre a sessão solene, ocorrida no dia anterior na sede do CXSP, comemorando os 40 anos do CXSP. Entre outros, cita a simultânea ministrada pelo grande mestre Erich Eliskases contra 26 tabuleiros.

Porto Alegre dominou a política, tanto na FPX como no CXSP até o começo da década de 50, quando um movimento liderado por Márcio Elísio de Freitas, Flávio de Carvalho Jr. e Vicente Túlio Romano, tomou o poder.

Nas décadas seguintes a FPX e o CXSP continuaram umbilicalmente unidos, sempre com breves interrupções. Philastolpho de Almeida, eleito no começo da década de 60, levou o acervo da FPX (documentos, planilhas e livros de atas) para a sua casa. Quando foi sucedido por Orlando Paes, não devolveu os documentos e com sua morte, este material  pode estar perdido para sempre. Orlando Paes levou a FPX para a Rua Germaine Burchard, no Complexo Esportivo da Água Branca. onde a sede foi por muitos anos. A sede ainda voltou brevemente para o Clube de Xadrez São Paulo, mas acabou saindo de lá e voltando ‘definitivamente’ para a Germaine Burchard onde dividia um prédio com muitas outras federações esportivas. Quando este prédio, com muitos problemas, foi interditado, a FPX ficou à deriva.

 

Mesmo quando a reforma do prédio da Germaine Burchard foi terminada, a Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo não honrou o acordo assinado para que a FPX pudesse voltar para lá. A partir daí a FPX ficou muitos anos perambulante, com muitas dificuldades e com relações muito ruins com a Confederação Brasileira de Xadrez. Somente na gestão atual a FPX ganhou de novo uma sede funcional, na Vila Mariana, bem próxima a Estação Ana Rosa do metrô (Rua Dr. Fabrício Vampré, 116 – 1º andar), no prédio da Associação Nihon Kinn de Go. O empasse com a CBX continua sem solução, o que prejudica bastante o xadrez paulista e brasileiro.

Na fase ‘moderna’, foram presidentes Lourenço João Cordioli, Cláudio Antonio Tonegutti, Paulo Ricardo Mullas de Faria, Herman Claudius van Riemsdijk, José Alberto Ferreira dos Santos, Horacio Prol Medeiros, James Mann de Toledo, Ramon Arnal Carrasco Junior, Henrique Eric Salama e Christian Claudius Ferreira van Riemsdijk.

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